Sunday, March 29, 2009
Sunday, November 30, 2008
The New
Eu queria poder viver livre
Eu espero que isso não esteja acima de mim
Leva tempo para isso se estabelecer
Um dia nós iremos viver juntos
E a vida será melhor
Eu tenho isso na minha mente
Baby, você sabe que um dia você irá crescer lentamente
E baby, meu coração está sendo quebrado
Eu dei muito a você
Eu também tirei muito de você
Você escravizou muita coisa por mim
Acho que você poderia dizer eu te dei a beira do abismo
Mas eu não posso fingir eu preciso defender algumas partes de mim de você
Eu sei que eu desperdicei algum tempo apenas mentindo
Eu não posso fingir eu não preciso defender algumas partes de mim de você
Eu sei que eu desperdicei algum tempo apenas mentindo
Você parece estar bem essa noite
Eu acho que nós deveríamos ir
Você parece estar bem essa noite
Eu acho que nós deveríamos ir
Sunday, July 13, 2008
Persepolis
Baseado na graphic novel (autobiográfica) e de mesmo nome de Marjane Satrapi, Persepolis conta a história de uma garota que cresceu durante um período caótico para o Irã, período esse que coincidiu com o fim da revolução iraniana e o início da tomada do poder pelos fundamentalistas islâmicos.Quase toda rodada em preto e branco, a animação segue a trajetória de Marji desde que ela tinha 10 anos e ainda era apenas uma garotinha que inocentemente sonhava em ser profeta e em imitar seu grande ídolo, Bruce Lee.
Assim como a revolução, esses sonhos também chegam ao fim e a já adolescente Marji passa a se sentir cada vez mais aprisionada em um país que está em guerra, que é governado por um regime que mata aqueles que se opõem as suas idéias (como seu tio Anouch) e que censura a liberdade do indivíduo utilizando a força bruta e o medo como formas de repressão.
Temendo que ela pudesse vir a ser presa, Marji é enviada para uma escola em Viena por seus pai, mas ao mesmo tempo em que garantiam a segurança de sua filha, eles também a mandaram para um lugar onde ela viria a se sentir ainda mais isolada por ser uma estrangeira perdida entre pessoas que não a entendiam, que não partilhavam de seus ideais e que a faziam sentir vergonha de ser Irãniana.
Marji sofre para se adaptar a essa nova situação e quando tudo parece que vai começar a entrar nos trilhos, ela se perde no meio do caminho e sem ter a quem recorrer, volta a morar com seus pais e novamente tem que lidar com seus medos e frustrações em um Irã que nem de longe lembra seus tempos de infância e que na verdade está ainda pior do que quando ela fora para Viena.
Essas situações, bem como as atitudes e os conflitos da personagem, são sempre tratados de forma honesta, realista e sensível (seus diálogos com a avó são maravilhosos) e acho que é justamente essa sensibilidade ao tocar em certos assuntos que faz com que Persepolis se torne uma fábula moderna que fala sobre o amuderecimento e a busca por identidade, mas que ao mesmo tempo também é uma forte crítica ao Irã de hoje e uma linda homenagem ao Irã de um tempo que não volta mais.
Monday, May 26, 2008
Control
Todo rodado em belíssima fotografia preto e branco, o filme conta a história de Ian Curtis (Sam Riley), vocalista do hoje mítico Joy Division e que se suicidou aos 23 anos, pouco antes da banda embarcar em sua primeira turnê pelos EUA.
No filme, Ian é retratado como uma pessoa reclusa e instrospectiva, que vive com seus pais e sua irmã em um apartamento em Macclesfield, Inglaterra. Sem nenhum interesse pelos estudos e mais preocupado em aplicar pequenos golpes p/ conseguir drogas, ele passa a maior parte do tempo ouvindo Bowie e escrevendo poesias.
Em meio a toda essa "agitação", ele conhece Debbie Woodruff (Samantha Morton) e sem se importar com o fato dela ser namorada de seu amigo Nick e de ambos serem muito jovens, eles acabam ficando juntos e se casam após poucos meses de convivência.
A vida de casados de Ian e Debbie cai na rotina, com ele trabalhando em uma agência de empregos e ela vivendo como uma dona de casa, mas esse quadro começa a mudar quando em meio a uma conversa despretensiosa com Bernard Sumner, Peter Hook e Terry Mason após um show do Sex Pistols de 1976, ele se candidata a vaga recém-aberta de vocalista da banda, a princípio chamada Warsaw.
Depois do encontro, logo vemos o nervossismo do primeiro show, a gravação do EP An Ideal for Living já sob o nome Joy Division, a histórica apresentação que fez o "malandro" Rob Gretton tornar-se empresário da banda e que também levou o lendário Tony Wilson a chamá-los p/ tocar Transmission em rede nacional e logo em seguida assinar um contrato usando seu próprio sangue como tinta.
Em meio a uma série de turnês, Ian passa a negligenciar cada vez mais sua mulher e a filha recém-nascida do casal e também descobre ser epilético, passando a ter que tomar remédios que o tornam cada vez mais depressivo, principalmente quando misturados a bebidas alcoolicas, o que ele costumava fazer com frequência.
Em Londres ele conhece Annik Honoré (Alexandra Maria Lara) e os dois logo se tornam amantes, o que de certa forma também acaba trazendo mais um conflito para a cabeça de alguém que já se encontrava debilitado pela doença e pelos remédios e que agora também passa a ser assombrado por seus próprios medos e inseguranças.
Seguindo dai até o seu trágico desfecho, o roteiro mostra algumas falhas e o filme perde um pouco de sua força ao tratar esses problemas de uma forma um tanto quanto simplória e superficial, sem assumir riscos e ao preferir dar mais ênfase a indecisão de Ian entre as mulheres de sua vida, cai um pouco no melodrama e deixa de lado temas mais pesados e talvez até mais interessantes e profundos.
Se esses temas tivessem sido melhor explorados o filme seria perfeito, mas mesmo com essa quebra de ritmo e com a falta de coragem de em certos momentos "colocar o dedo na ferida", Control se mantem nos trilhos a maior parte do tempo e presta uma justa homenagem a memória do genial Ian Curtis e seu Joy Division.
Eric Clapton
Página após página, Clapton surpreende ao falar abertamente não só de sua origem humilde e de seus ídolos, mas também ao tocar em assuntos difíceis, como sua conturbada relação com a mãe, seu relacionamento com Pattie Boyd, o uso abusivo de drogas e o alcoolismo que quase o levou a morte, a perda de seu filho Conor, sua a chegada ao fundo do poço e a incessante busca por redenção.
Clapton também conta como foi a formação de bandas como The Yardbirds, John Mayall & The Bluesbreakers, Cream, Blind Faith, Derek And the Dominos e esclarece o porque de cada uma delas ter terminado e entre a formação de uma banda e o término de outra, ainda sobra tempo para mais um trago e saborosos detalhes sobre o início de sua carreira solo, sobre jam sessions com Jimi Hendrix, George Harrison, Pete Towsend e John Lennon e sobre a inspiração para suas músicas mais conhecidas.
Com essa autobiografia, Clapton rejeita todos os rótulos e se despe da vaidade para fazer um auto-retrato sincero, apaixonante e em certos momentos até mesmo emocionante da vida de um cara que se entregou ao vício e acabou se perdendo em meio aos excessos, mas que mesmo assim, ainda teve forças para dar a volta por cima e renascer através de sua música e de seu amor pela vida.
Sunday, April 20, 2008
You On My Mind In My Sleep
You ain't ever seen
The way to find your dream
Forget what's within within
Cos who you've been you've been
If all we lose is the skin
I'm pulling you under within
We're gonna make this life together
The symptoms are too deep
I got you on my mind in my sleep
you on my mind in my sleep
Do you know how hard I'll try
To lose this foolish pride
Can you take me as I am
Can you understand me I'm changing now
If all we lose is the skin
I'm pulling you under within
We're gonna make this life together
The symptoms are too deep
I got you on my mind in my sleep
you on my mind in my sleep
I got you on my mind in my sleep
Heavenly body
Wednesday, March 12, 2008
Interpol - Via Funchal 11/03/2008
O show de aproximadamente 1h40m começou por volta das 22:30, com o quarteto de Nova York tocando Pioneer To The Falls para uma platéia animada, que lotou a pista, deixando os camarotes praticamente vazios.
O palco era simples e sem nenhuma afetação e além do já tradicional conjunto formado por amplificadores, caixas e instrumentos musicais, também contava com um telão que ia mostrando imagens aleatórias e quase sempre relacionadas aos temas das músicas tocadas pela banda, que durante a apresentação alternou sucessos de seus três álbuns de estúdio, "Turn On The Bright Lights" (2002), "Antics" (2005) e o recente "Our Love To Admire" (2007), para um público que cantava e batia palmas em praticamente todas as músicas e que em resposta recebia um "presente" atrás do outro, desde Obstacle 1, Slow Hands, Not Even In Jail e No I In Threesome até a belíssima Rest My Chemistry.
Essa entrega por parte do público em cada música tocada ficou ainda mais evidente quando o vocalista Paul Banks decidiu deixar de lado o ar blasé, que sempre o acompanha em shows e entrevistas, e substituiu os agradecimentos contidos e escassos por elogios mais efusivos como "você são maravilhosos pra cacete".
No já tradicional bis a banda tocou NYC, Stella Was A Diver And She Was Always Down e PDA, fechando com chave de ouro uma apresentação que certamente deixou em todos os presentes aquele gostinho de quero mais (tipo, queria ter ouvido The New) e a esperança de um breve retorno dos rapazes de Downtown.
Monday, February 11, 2008
Onde os Fracos Não Tem Vez
A violência desnecessária e gratuita que vemos nos dias de hoje apenas demonstra o quanto nos distanciamos dos ideais e valores que formaram nossos ancestrais e que hoje são vistos apenas como uma lembrança pálida na cabeça dos que viveram naqueles tempos.Adaptado do romance de mesmo nome escrito por Cormac McCarthy, Onde os Fracos Não Tem Vez foge do lugar comum e propõe uma reflexão sobre temas como esse utilizando como pano de fundo uma negociação de drogas que deu errado em Junho de 1980 no Oeste do Texas.
O caçador Llewelyn Moss (Josh Brolin) encontra por acaso o local onde tal negociação se desenrolou e em meio a uma série de corpos e rastros de sangue, ele acha uma maleta cheia de dinheiro e decide levá-la para casa. Essa decisão começa a se mostrar totalmente errada quando em meio a uma súbita crise de consciência, ele resolve voltar ao mesmo local e por conta disso, acaba se tornando o alvo principal de uma caçada humana empreendida pelo já "clássico" assassino profissional Anton Chigurh (Javier Bardem).
O violento jogo de gato e rato em que se transforma a perseguição de Chigurh à Llewelyn é pontuado por momentos mais instrospectivos sempre que o xerife local Ed Tom Bell (Tommy Lee Jones) entra em cena para investigar e até mesmo tentar entender o que está por trás da trilha de cadeveres que vai ficando pelo caminho desses dois homens determinados a alcançar seus objetivos, custe o que custar.
Se seguissem a cartilha, os irmãos Joel e Ethan Coen poderiam até ter entregue mais um competente filme policial, mas desde sua abertura com uma belíssima fotografia do Oeste americano acompanhada pela narração lacônica e sentimental do xerife brilhantemente vivido por Tommy Lee Jones, até o seu desfecho anti-climático, fica claro que a história é apenas uma ponte que nos conduz a uma reflexão bem mais profunda, que envolve temas como destino, escolhas, esperança, humanidade e ingenuidade, culminando em um único sentimento de deslocamento que é inerente a todos aqueles que não encontram mais lugar diante da degradação de uma sociedade cada vez mais violenta e sem sentido.

